terça-feira, 27 de agosto de 2019

Celebrando Jean-Louis Lebris de Kerouac


À todos meus irmãos, órfãos de J. (meu xará). Kerouac,em um sábado preparando-me para as festividades que a noite deste 
dia remete, tomo 03 copos de uma mistura de Rum com coca-cola, drink que possui o hipocríssimo nome de "Cuba Libre", paro para pensar um pouco, de tempos em tempos entre a nossa espécie surgem mensageiros, pregando novas bíblias, lembro de Nietzsche escrever "Deus está morto", não para abandonarmos nossas crenças, mas para enxergarmos nosso poder interior, esse adormecido pela rotina mundana à nossa volta... lembro que "On The Road" tem o poder de também ser uma Bíblia, aquele que mergulhar nele de maneira certa, perceberá ser uma libertação, uma iniciação à vontade de fazer o quê o inconsciente fala baixinho de forma tímida, a explosão sonora que dos anos 60 em diante sempre ecoando com bandas cada vez mais diferentes, mas em comum com a vontade de ir "contra a cultura", sem preocupações com rimas, métricas do tipo "primeiro verso, refrão, segundo verso, refrão 2x, etc", como Dylan, Tim Buckley, Raul, Renato Russo, enfim busquemos ser nós mesmos, esboçando aquele sorriso que poucos entendem e percebem ser um abrir de asas para um consequente primeiro de muitos vôos... resumindo: Bom fim de semana à todos!!!
                                                                                 Noite de Sábado, 22 de Outubro de 2016

Moonlight Drive


Estou na minha Cidade, em um final de tarde, decidido a ir para a Cidade de uma Grande Amiga. 
Ela me conta reluzentes histórias de sua Cidade.
Eu, o amante de sombras de árvores, me apaixono ao ver fotos dizendo que irei encontrar esses verdadeiros leitos de repouso incrustados no meio da Cidade dela.
Minha mochila está um trapo, mas vale ouro: meus poucos livros e escritos disputarão espaço com minhas roupas, todos desejosos de me acompanharem na Cidade Nova.
Serei engolido na imensa Cidade, estarei em uma paixão febril andando por suas muitas ruas, mas conhecedor de toda extensão da Cidade Nova, ainda lhe acharei menor que o Coração da Minha Amiga.
Percebo estar excitado por conhecer a Cidade Nova e na companhia dela iremos caminhar pelo Luar e contar tudo para as Estrelas.
E as outras Cidades? Todas tiveram seu momento único comigo, a ânsia de conhecê-las, o encontro às escuras: apenas eu e o bilhete decidido na rodoviária anterior, a curiosidade com a Cidade Nova. Dessa vez terei companhia, assolarei seu ouvido!
Na minha mente escuto uma das primeiras frases que escrevi esse ano: "O melhor dia de nossas vidas ainda está por vir, basta olhar para o ontem, ver o momento ideal e revivê-lo com aquela pessoa que lhe excita hoje!"
                   
                                                                                                                      02 de Fevereiro de 2017

Ashes To Ashes


Sem conseguir dormir mesmo após uma longa jornada viajando de ônibus, coloco alguma música para ouvir, vejo as horas, é tarde, início da madrugada, mas sabendo da existência de bares abertos naquele horário, penso que o refúgio pode ser assistir alguma banda tocando, busco uma bota, toda empoeirada pelo trajeto do dia anterior, batendo elas, rapidamente essas partículas dominam o chão de minha sala, ciente da sujeira espalhada, busco a vassoura e junto com as cinzas de um incenso que acabou de terminar sua queima, vê-las me remetem alegrias, quase sempre que acendo alguma dessas fragrâncias adoráveis, uso como parte do ritual anfitrião para receber alguém que eu goste, e a única pessoa que entrou em meu apartamento hoje foi eu mesmo...
Percebo então que nesse momento a pessoa da qual mais quero caminhar junto ou fazer algo diferente é eu mesmo, assim irradiado por essa boa sensação, saio a caminhar na noite, se por acaso voltar acompanhado ou não, como diz a música: “ficarei sóbrio essa noite” e adicionarei mais cinzas...
     
                                                                                                                                                                         Fevereiro de 2017

Preciso Me Encontrar


Atirado, sem perceber que adormeci, caminho em terras distantes, mas estranhamente familiares...
Olhando para todos os lados, tentando descobrir onde estou, olho para frente, vejo alguém conhecido, sou eu mesmo, como eu não sei, pareço mais novo... 
Apresso o passo, quero chegar mais perto de mim, sei que aquele eu de ontem deve ter algo para me dizer, contará de dias mais simples, com reluzentes alegrias... preciso me encontrar!
De algum canto inóspito, se ouve uma melodia brasileira, não sei de onde a música está vindo, volto a olhar para frente, aquele eu parece menor, cada vez mais jovem. 
O menino que sentava no chão em frente ao rádio, mexendo na coleção de discos dos pais, sempre em busca de sentir o que seu pai sentia ao colocar a agulha naquele negro vinil, ele puxava sua esposa e parecia girar com ela pela sala.
Ele assistia toda aquela euforia de amor parado no canto da sala, o som causava uma alegria no ambiente, mesmo que fosse algo triste, com instrumentos bucólicos se fundindo com um velho samba.
Aquele menino tinha se encontrado naquela simplicidade e eu agora sigo ele, pois preciso me encontrar!
                                                                                            Fevereiro de 2017

Escrevendo Sem Parar


Escrevendo sem parar... Ah, o lado bom de jogar no papel qualquer coisa que vem à cabeça. A humanidade é cheia de gênios ignorados no despertar de suas carreiras artísticas, eu posso não ser um deles, mas me beneficio por viver nessa era...
Escrevendo sem parar... beatniks escrevem sem preocupar-se com o sentido, a ordem dos fatos, com a alegria e a tristeza, o amor e a morte, a calmaria ou a tempestade e eu fico apenas seguindo uma estrada que não consegue sair da imaginação...
Escrevendo sem parar... imagino palavras e quero transformá-las em orações e ações mas ficam incoerentes, mas seriam estas sem sentido mesmo, pois o copo de vinho vazio ao meu lado tira minha razão...

Escrevendo sem parar... jogado em um gramado coberto pela sombra de uma grande árvore, decido escrever sobre algum momento, o brilho de uma ação, a explosão de movimentos, tudo é pensado e cogitado, então decido é ficar quieto, apreciando a leve brisa e o ato que desejo mesmo é o simples ficar escrevendo sem parar!

                                                                                          Dezembro de 2016.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Mergulho em Dúvidas

  Ele está parado em cima daquela pedra há horas, parece que se passaram apenas alguns minutos... pulou em cima dela no final da tarde, o Sol começara a se esconder no horizonte e a onda que se aproximava era diminuta, mas ganhando em estatura ao tamanho que sente neste momento... Um dia foi muito feliz, momentos que ele sabia não seriam eternos, mas tinha certeza que bastaria lembrar-se e se veria sorrindo... Não é o que acontece ali parado olhando para a grandiosidade do oceano, quase implorando que uma gigantesca onda chegue e lhe tire deste mundo da qual sabe que não pertence mais! Afinal, para que continuar a existir sabendo que o motivo de ter vindo foi para encontrar uma pessoa que não está mais presente, não importa para onde caminhe, nunca mais vai olhar para aquele sorriso que era tudo que precisava quando queria ter um momento perfeito, nada lhe faltava, olhava para ela até cair no sono com o suspiro de quem tem o coração completamente satisfeito tendo a certeza que acordará para outro dia mais feliz ainda...

  Ele sempre foi um ser tocado pela tristeza, outras belas mulheres que caminharam ao seu lado percebiam isto ao passar de certo tempo, parecia um segredo, algo estampado em seu semblante, quando indagado um trêmulo e nem um pouco convincente esboço de sorriso era sua resposta, àquela que questionava bastava naquele momento como resposta, pois percebia que não conseguiria extrair nenhuma palavra de fundamento, então não havia porque insistir em algo enterrado em concreto, mas que inexplicavelmente parecia ficar transparente...

  Ele sempre soube o porquê destes súbitos reflexos de tristezas indefinidas, mas como alguém pode dizer que tem conhecimento de que lágrimas estão chegando e afirmar com convicção de que não há razão para vertê-las.


  Em outra pedra, próxima o suficiente para uma linda jovem ficar admirando aquele belíssimo homem sentado, não é a primeira vez que enxerga-lhe, pelo contrário, nos últimos entardeceres tem se tornado seu maior prazer, ficar vendo aquele ser ali parado, sonhando acordada com o momento em que se erguerá, com um encantador sorriso virá em sua direção, começando o romance que ela sempre idealizou, mesmo que seja apenas um lampejo de paixão, um amor repentino, encontro de corpos por uma única vez naquelas areias, seria um prazer sem limites. Até esse instante parece-lhe que ele não sentiu nada por ela, deve ter lhe visto e sentiu nenhum interesse naquela imagem de longos cabelos cacheados que fica em transe a lhe observar, ela tem a certeza que seria desejar demais um homem assim...


  Ele, permanece imóvel, acompanhando com o olhar a formação das ondas, até o instante em que o véu da noite substitui o azulado horizonte, tendo certeza de que não há razão para continuar vivo, não entende por que até agora não acabou com sua existência, nesse início de mais uma solitária noite em seu apartamento talvez ele consiga chegar até um armário onde deixou uma série colorida de comprimidos e encerrar algo que ele tem certeza ter acabado e que só precisa do ato final.


  Ela, permanece paralisada, sente uma aceleração no coração ao ver aquele homem levantar e saltar da pedra, caminhando em sua direção, perdendo qualquer sinal de vergonha entra naqueles olhos cada vez mais próximos e percebe que não está sonhando, com ele mais perto ainda, sente seus braços e pernas tremerem, o que dirá para ele, que palavras poderá soprar para lhe excitar, que olhar deve fazer para seduzi-lo, nervosamente trespassa os dedos em suas madeixas e o objeto tão desejado está quase à sua frente, pouquíssimos passos os separam, um calor no peito, é o momento.


  Tendo descido da pedra e com a mórbida ideia fixa naqueles diversos medicamentos que lhe esperam, começou a caminhar, não entende por que não o fez ainda, em sua mente nada mais, passos cada vez mais decididos que lhe roubam a atenção, fazendo com que não perceba a bela imagem a lhe admirar tão intensamente.


  Invisível, um nada transparente e sem significado, assim ela se sentiu quando aquele ser da qual não conseguia desviar o olhar passou ao seu lado sem esboçar a menor reação, há tempos ela considera sua vida vazia de significado, dificilmente se apaixonava, nem mesmo atração física sentia mais, como se a chama de sua existência estivesse tremulante quase se apagando, há uns dias atrás lhe viu naquela mesma pedra onde então passou a lhe vigiar todos os dias, acreditando ter encontrado sua alma gêmea, deu uma chance ao destino, pois estava cogitando a ideia de acabar com tudo, algumas vezes parava na janela de seu quarto, daquele sétimo andar tinha certeza que bastaria estender o corpo para fora e mergulhar para o término dessa meia-vida, uma pequena esperança lhe dizia que talvez tivesse alguém que ela teria um papel importante, dando um sentido à vida, mesmo não sentindo carência de sentimentos, tinha total convicção de que deveria encontrar esta pessoa e cumprir um papel incumbido à ela pelo destino.


  Ele voltou para seu silencioso apartamento, na sua mente ainda a imagem dos comprimidos lhe esperando, tinha a certeza que uma desesperada combinação de tantas pílulas diferenciadas lhe levariam ao sono eterno, súbito lhe vem uma dúvida, por que não apostar mais uma vez no jogo da vida, talvez ao sair outra vez aparecesse uma mulher para um recomeço. Torna a olhar para os remédios, lembra que a pouco estava decidido e para ter mais garantias de sucesso em sua empreitada final decide sair, encontrar uma farmácia e acrescentar uma carga maior daquelas pastilhas coloridas. Enquanto desce as escadas de sua morada, outra vez a indecisão, será que alguma mulher desejaria um homem tão romântico o quanto ele foi um dia, surge na sua memória a imagem de ter visto vez ou outra na praia, uma figura feminina solitária, uma dúvida lhe faz tentar lembrar do rosto daquela mulher, mas está ciente que sua tristeza tão compenetrada lhe roubou esta lembrança, assim como a certeza de se foram uns ou todos os dias das últimas semanas em que lhe viu entre as pedras onde tem dividido sua solidão, acreditando que ao recuperar esta imagem perdida em sua mente, desistirá de seus intentos.


  Caminhando não mais tão decidido, em sua mente uma dança de dúvidas: comprar mais medicamentos ou não? Como era o rosto que pode ser sua salvação? Desistir de tudo ou procurar nova vida? Ao dobrar a esquina, vê um aglomerado de pessoas na calçada à sua frente, ao redor de uma vítima de um acidente ou crime, nunca entendeu esta curiosidade mórbida que as pessoas tem por estas cenas. Procura desviar sem prestar atenção, mas escuta dos lábios daquela plateia de abutres que a vítima era depressiva, que era certo que uma hora iria tolamente se matar, mas não esperavam que fosse fazê-lo assim, atirando-se pela janela. Então, por um rápido instante ele olha para baixo e naquela vítima reconhece o rosto que tanto tentou lembrar a pouco.


                                  Outono de 2013.
                                                            L.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Princesa Dadá

    Em certa fase da minha vida, morei em uma pousada, sempre convivendo com pessoas diferentes por curtos períodos de tempo. Da rápida passagem de uma carinhosa amiga nesses dias, resolvi escrever algo. Nesta época, tive longos dias (e noites) jogando um game fantasioso (Final Fantasy VI), então optei por transformar a história em um conto de fadas, fiz uma sinopse para em outro momento criar algo mais longo, mas apreciando o resultado desta, deixe-a assim mesmo...



Muitas histórias podem ser contadas sobre a Princesa Dadá Limão, afinal de contas ela enfrentou muitos desafios em sua vida e continua a fazê-lo, o que a deixa cada vez mais forte, deixando orgulhosos todos aqueles que a amam.
Devemos contar primeiramente sobre o seu reino: Lilípoli, este belíssimo lugar é responsável pela segurança de muitos outros, no mundo da Princesa Dadá, todos os reinos praticam alguma boa ação um com os outros, por isso quase sempre são todos felizes e alegres. Todos habitantes se tornam soldados ao chegar à idade adulta, praticando isto sempre, pois quando a existência está chegando ao final seja por morte em algum campo de batalha ou por alguma doença letal, eles são transportados para uma cidadela flutuante e invisível que paira acima de seu reino, todos que estão lá em cima também se tornam invisíveis, quer permanecendo dentro ou quando descem para cuidar mais de perto de seus filhos, assim aconteceu com o velho Rei Gagá Limão, que foi um General do exército lilipoliano por muito tempo e também é pai da Linda Dadá. Todos os reinos chamam esta cidadela de Céus, pois ao olhar para cima tentando vislumbrá-la só enxergam a imensidão azul do céu, mas sentem um calor diferente, como se alguém estivesse bem perto e protegendo.
Em todos os reinos que praticavam boas ações, as famílias tinham nomes de frutas.
A Princesa Dadá era muito amiga do Príncipe Lulú Figo, no mundo todo, os pais sempre querem que seus filhos se casem, mas Lulú não pertencia ao reino da Princesa Dadá, e sim à uma terra muito mais antiga e de tradições diferentes, é uma longa história envolvendo os pais de ambos: o pai de Lulú chamava-se Lilí Figo e faleceu há muito tempo atrás, na época a Princesa Dadá era apenas uma criança e Lulú estava chegando à idade adulta, em seu reino a boa ação que retribuem a outras terras é a preocupação e o hábito constante de nunca deixar ninguém a sós, o Senhor Lilí trabalhava cuidando de um castelo durante as noites e um dia adoeceu e veio a falecer dentro de um hospital, a Cidadela dos Céus olhou para ele naquele momento e como sua profissão lembrava à dos habitantes de Lilípoli e coincidentemente possuía um nome semelhante ao daquele reino, foi levado por eles.
Certa vez houve uma bruxa malvada chamada Nôsia, com intenções maléficas. Todas famílias possuíam uma árvore gigantesca da fruta que dá nome ao clã e era também uma moradia com muitos quartos, a Bruxa Nôsia fez um casarão falso que a Princesa Dadá pensou se tratar de outra família bondosa por ser todo pintado na cor da fruta Laranja no lado de fora, mas quando ela entrou lá, percebeu que os quartos não eram espaços alegres e arejados, mas sim pequenas prisões sem luz, mal cheirosos e para sair precisava desamarrar nós feitos com uma corda muito grossa que prendiam suas pernas e ao passar pela porta tinha que pagar muitas moedas de ouro para a bruxa, sendo que ao sair a maldosa dava um jeito de raptá-la novamente, e é neste lugar que estava preso a um certo tempo o Príncipe Lulú.
Ambos tentaram fugir várias vezes daquele lugar ruim, planejavam juntos a próxima tentativa de fuga, mas a bruxa era esperta e tinha uma espiã: uma cobra disfarçada de Princesa, que Lulú erroneamente achou que fosse uma boa pessoa por também se chamar Dadá.
A Princesa Dadá era muito bela, ao ver seu rosto com mais atenção percebia-se não ser uma criação comum, mas sim uma obra de traços exóticos, maravilhosos cabelos claros e ondulados, lindos e grandes olhos negros, pele macia de uma bela cor bronzeada e lábios que causavam loucuras em outros príncipes; mas mesmo assim a Bruxa usou um feitiço que a fez acreditar que não fosse bonita, fazendo-a cega à beleza que via todos os dias ao se olhar no espelho. A Princesa comentou com Lulú sobre alguns príncipes que tentaram conquistá-la, teve um que era muito admirado por outras princesas por ser bonito e ter tirado o primeiro lugar em um torneio muito difícil de perguntas e respostas, mas depois ela viu o quanto ele era esnobe. Outro se aproximou dela de forma mais nobre e carinhosa, chegaram até a andarem juntos de mãos dadas, mas ela não queria saber de ninguém, só o que sentia era muita falta de sua mãe, a Rainha Sasá Limão.
Foi nesse momento que os pais das famílias Limão e Figo se conheceram na Cidadela dos Céus e trocaram algumas ideias, perceberam que seus filhos se gostavam de uma forma terna, como verdadeiros irmãos e pediram ao Senhor dos Céus que ajudassem sua prole a fugirem da bruxa, o Rei Gagá comentou que ambos sempre cuidariam um do outro, e que sua filha por ser muito mais nova um dia ajudaria Lulú quando estivesse bem velhinho, nem que fosse arrumando outra velhinha para ele se casar, o soldado Lilí por sua vez, garantiu que seu filho sempre cuidaria de Dadá, nunca a deixando sozinha e triste, ele até admitiu que o filho às vezes fosse meio chato e sufocante, mas se ela tiver paciência verá que serão amigos para sempre.
O Senhor dos Céus resolveu atender as preces daqueles senhores e enviou até a Princesa Dadá uma Fada muito poderosa acompanhada de dois pequenos anjinhos que desamarraram os nós que a prendiam, retiraram o encantamento que não a deixava perceber a própria beleza e transportaram-na até sua mãe, que também sentia muita falta de sua filha. Antes de sair, a Fada olhou para o Príncipe Lulú e disse que voltaria para lhe soltar.

Ao voltar para casa, a Princesa entrou para o mesmo exército que seu pai fez parte, com direito a uma bela cerimônia na presença de seus antigos amigos e do mais recente, mas não menos orgulhoso Príncipe Lulú, este tendo a certeza de que sua grande amiga deu o primeiro passo para um dia se tornar Rainha.  Até os dias de hoje se reúnem de tempos em tempos e soltam muitas risadas lembrando-se destas e outras aventuras a serem contadas em outro momento.  

                              Final do Inverno de 2012
                                                                       L.